domingo, 26 de agosto de 2012

Vote com responsabilidade: saiba mais


VOTO RESPONSÁVEL
A importância do eleitor para manter prefeitos e vereadores na linha
Voto Responsável
  O que é Política?
   “…… capacidade dos indivíduos de se associarem para viver e conviver bem, para o bem comum”.
Voto Responsável
Por que precisamos da Política?
A Política é necessária para o desenvolvimento do bem comum e é desvirtuada quando utilizada para fins particulares ou para privilegiar grupos ou pessoas.
Voto Responsável
  Onde fazemos Política?
Voto Responsável
O que é democracia?
Sistema de governo,
Voto secreto,
Partidos que se alternam no poder,
Voto Responsável
Na democracia,
A sociedade tem o poder pelo VOTO.

Voto Responsável
Nossa República
No município
Executivo – prefeito
Judiciário – Juiz
Legislativo – Câmara de Vereadores
Voto Responsável
Vote em candidatos que:
São conhecidos por serem honestos
Tenham uma história de trabalho e competência e Ficha Limpa dele e dos que o apoiam.
Que declara quem são os apoiadores e financiadores da campanha e estes também sejam fichas limpas.
Gostem da cidade, e não aproveitadores que querem melhorar a sua vida às custas do povo.

Voto Responsável
Vote em candidatos que:
Você acredita que vai fazer um bom trabalho. Vai ser ativo, honesto e batalhador.

Voto Responsável
Não vote em candidatos que:
Já estejam sendo processadas por desvios de recursos,
Já tenham fama de desonestos,
Sejam apoiados ou financiados por fichas sujas
Voto Responsável
Não vote em candidatos que:
Não tenham um mínimo de conhecimento para fazer o trabalho.
Voto Responsável
Não vote em candidatos que:
Não tomam posição, e querem se eleger só para ganhar o salário de vereador
Voto Responsável
Não vote em candidatos que:
Que não tenham coragem ou conhecimento para fiscalizar os atos do prefeito.

Voto Responsável
Não vote em candidatos que:
Tentam comprar o seu voto – esse é o pior candidato.
Desconfie do candidato que dá coisas, oferece benefícios ou faz promessas de empregos, caso seja eleito.

Voto Responsável
Quem compra voto é um traidor da pátria. Quem vende também.
Voto Responsável
Não vote em candidatos só porque:
Ele é seu vizinho
Seu parente
Voto Responsável
Não vote em candidatos só porque:
Ele é seu amigo ou compadre
Ele é bonzinho, um cara legal

Voto Responsável
Não votem em candidatos só porque:
Ele está precisando de dinheiro
Alguém mandou ou pediu

Voto Responsável
Trabalho do Vereador
Porquê precisamos de vereador?
O vereador é o nosso representante e deve zelar pelo bem estar do município.
O vereador aprova Leis que você vai ter que seguir.


Voto Responsável
Trabalho do Vereador
Fazer leis municipais
Cuidado com leis (muitas atrapalham)
Voto Responsável
Trabalho do Vereador
Fiscalizar os trabalhos do prefeito
Voto Responsável
Trabalho do Vereador
Participar, aprovar a distribuição dos recursos, do orçamento, construído com base em necessidades da população e investimentos para desenvolvimento da cidade.
Voto Responsável
Trabalho do Vereador
Levar ao conhecimento do Prefeito as necessidades da população.
Voto Responsável
Plano plurianual (PPA)
Plano para os 4 anos de governo

Orçamento
Lei de Diretrizes Orçamentárias
Audiências públicas
Instrumento de trabalho e planejamento.
Voto Responsável
Como o vereador fiscaliza o prefeito?
Entender o orçamento
Fiscalizar as concorrências e os gastos
Verificar as compras
Preços
De quem comprou
Foi entregue?
Voto Responsável
Como verificamos as compras da Saúde
Muitas compras, pagas, mas não entregues
Qualidade do serviço

Voto Responsável
Como verificamos as compras de Merenda Escolar; de Combustível?
Merenda,  gasolina, óleo diesel – notas fiscais pagas e produtos não entregues, qualidade e quantidades entregues a menor.

Voto Responsável
Como verificamos as compras de Serviços
Notas frias
Serviços não feitos
Notas difíceis de conferir (genéricas)
Valores maiores que o normal
Quantidades na nota fiscal maiores que o entregue
Voto Responsável
Por que políticos compram votos?
Por que eles vêm oferecer coisas na época da eleição?
Por que eles se agarram tanto ao poder?
Voto Responsável
No Brasil o governo tem muito dinheiro
Impostos são muito altos
Não existem bons controles
Políticos se elegem já pensando em desviar recursos
Voto Responsável
O que acontece quando se vende o voto?
A Democracia é destruída
A Corrupção é autorizada
A Pobreza continua….
Voto Responsável
A vida só melhora se:
Tiver boa escola
Saúde
Emprego
Oportunidades para todos
Não se venda!!!
Voto Responsável
Valorize o seu voto
Se você não fizer isso, ninguém vai fazer, se você vota errado, fica difícil reclamar.
Voto Responsável
Valorize o seu voto
A democracia só funciona assim. Se todos fizerem o mesmo, vamos melhorar a qualidade dos políticos eleitos
Voto Responsável
O que uma pessoa precisa para ser vereador?
Ler e entender os assuntos tratados
Noção de números (Orçamento municipal)
Voto Responsável
O que uma pessoa precisa para ser vereador?
Noção de leis
Lei das Licitações
Lei Orgânica do Município
Regimento Interno da Câmara
Voto Responsável
O que uma pessoa precisa para ser vereador?
Tomar posições e justificar as posições de forma que elas sejam entendidas
Nunca se vender ao prefeito

Voto Responsável
Vereador que não serve
Um vereador que fica todo o tempo calado, nunca participa dos debates, nunca se posiciona sobre assuntos, não contribui com nada.

Voto Responsável
Vereador que não serve
Um vereador que só faz o que o prefeito manda, como se o prefeito fosse o patrão, também não serve.
Aquele que vota contra tudo, também não serve! É preciso entender os assuntos.

Voto Responsável
Vereador que não serve
Aquele que só defende o interesse dele e do seu grupinho também não serve!
Voto Responsável
Vereador que não serve
Quem não tem uma história de honestidade em sua vida, não pode ser vereador.
Voto Responsável
Bom Prefeito
Nomeia para os Conselhos Municipais pessoas representativas
Não compra os vereadores
Consulta lideranças sobre as necessidades da população
Faz tudo transparente, não esconde nada
Voto Responsável
Bom Prefeito
Não fica pensando só na próxima eleição
Não emprega parentes
Convida pessoas competentes para cargos de confiança
Age com honestidade - não desvia dinheiro
Voto Responsável
Bom Prefeito
Trabalha duro
Respeita a Câmara Municipal
Faz um plano de longo prazo para o município
Faz um governo participativo
Voto Responsável
Se elegemos políticos corruptos, a culpa é nossa. E todos nós sofremos as consequências,  pois autorizamos que eles roubem dinheiro em prejuízo da sociedade.
Voto Responsável
Eleição é um momento em que o eleitor está no centro da decisão. O poder está nas mãos do povo, pelo voto.

Voto Responsável
Votar é uma das principais formas de participação

Voto Responsável
Democracia exige memória e informação
Lembre-se em quem votou
Procure a história do seu candidato
Guarde o programa do seu candidato
Assista a debates, fique atento a notícias
Voto Responsável
Para mudar é preciso conhecer.
Cada candidato deve propor um programa para sua gestão. O que ele vai fazer, propor, ou defender.
Voto Responsável
Para mudar é preciso conhecer.
Analise a campanha do seu candidato:
Veja se ele diz claramente o que vai fazer, como e em quanto tempo, ou simplesmente fala o blá-blá-blá cheio de promessas e simples desejos.

Voto Responsável
Para mudar é preciso conhecer.

Leve em conta os escândalos anunciados na imprensa

Voto Responsável
Depois do voto, é importante a cobrança de um plano de governo com metas e prazos  e a participação
Cobre as promessas da campanha
Voto Responsável
Acompanhe votações importantes na Câmara Municipal
Voto Responsável
Faça parte da associação de seu bairro
Voto Responsável
Todos os atos praticados pelo Governo devem ser de conhecimento do povo.

Voto Responsável
Alguns atos como o Orçamento precisam ter audiências públicas.
Voto Responsável

Isso é garantido pela Constituição Federal. Não existe informação confidencial.
Artigo 5º parágrafo XXXIII
Todos tem direito a receber dos orgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.
Voto Responsável
O que é corrupção?

É todo abuso do poder público, em benefício próprio.
Voto Responsável

Vote com a sua consciência.
Ninguém vai saber em quem você votou.

VOTO NÃO TEM PREÇO, TEM CONSEQUÊNCIA

A COMPRA E VENDA DE VOTOS É CRIME.
 DÁ CADEIA
MCCE - AMARRIBO -  AVINA – MOVIMENTO VOTO CONSCIENTE – IBV - IFC
2008

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Medicalização: remédio ou veneno?





Tornou-se uma prática predominante na sociedade atual e nas escolas o uso de remédios para que as pessoas se mantenham saudáveis e curadas. Há uma naturalização do uso de medicamento no cotidiano das pessoas. Você que está lendo esse texto agora é bem provável que haja a seu lado ou em sua casa, na sua bolsa ou no seu bolso, na gaveta de seu local de trabalho, etc., algum tipo de remédio, nem que seja para um simples dor de cabeça.
     Afora a indústria bélica, ou seja, de armas, a indústria de medicamentos é a que tem mais crescido e investido, faturando bilhões de dinheiros. Qualquer problema diagnosticado é motivo para emitir uma receita. É muito difícil você sair de uma consulta médica sem ter uma em mãos. Há até o absurdo dos médicos ganharem prêmios, brindes e viagens por receitarem o maior número desse ou daquele medicamento, favorecendo esse ou aquele laboratório. Por exemplo, em cinco anos, a venda de antidepressivos no Brasil subiu 48%. Segundo especialistas, o aumento nas vendas desse tipo de medicamento se deve à prescrição exagerada da "pílula da felicidade", tanto por médicos de outras áreas quanto para pacientes sem depressão.
     Esse é o diagnóstico que também tem alarmado os pesquisadores e educadores. Nas escolas, supostos problemas de comportamento ou de aprendizagem são tratados como uma doença que deve ser curada por meio da medicina somente. Nos últimos anos tem crescido assustadoramente o número de crianças que tem sido diagnosticadas e tratadas com remédios nas escolas. Segundo dados dos dados do IDUM, isto é, o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos, em 2.000 foram vendidas 71.000 caixas de Ritalina ou metilfenidato, sendo que em 2010 esse número subiu para 2.000.000 de caixas vendidas. Todo esse processo é chamado de medicalização da sociedade e da educação.
De maneira geral, a medicalização é um mecanismo e uma ação que transforma, artificialmente, questões não médicas em problemas médicos. Problemas de diferentes ordens são apresentados como ‘doenças’, ‘transtornos’, ‘distúrbios’ que escamoteiam as grandes questões políticas, sociais, culturais e afetivas que afligem a vida das pessoas. Segundo manifesto do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade (www.medicalizacao.com.br), questões coletivas são tomadas como individuais; problemas sociais e políticos são tornados biológicos. Nesse processo, que gera sofrimento psíquico, a pessoa e sua família são responsabilizadas pelos problemas, enquanto governos, autoridades e profissionais são eximidos de suas responsabilidades.
Uma vez classificadas como “doentes”, as pessoas tornam-se “pacientes” e consequentemente “consumidoras” de tratamentos, terapias e medicamentos, que transformam o seu próprio corpo no alvo dos problemas que, na lógica medicalizante, deverão ser sanados individualmente. Muitas vezes, famílias, profissionais, autoridades, governantes e formuladores de políticas eximem-se de sua responsabilidade quanto às questões sociais: as pessoas é que têm “problemas”, são “disfuncionais”, “não se adaptam”, são “doentes” e são, até mesmo, judicializadas.
A aprendizagem e os modos de ser e agir – campos de grande complexidade e diversidade – têm sido alvos preferenciais da medicalização. Cabe destacar que, historicamente, é a partir de insatisfações e questionamentos que se constituem possibilidades de mudança nas formas de ordenação social e de superação de preconceitos e desigualdades.
O estigma da “doença” faz uma segunda exclusão dos já excluídos – social, afetiva, educacionalmente – protegida por discursos de inclusão.
A medicalização tem assim cumprido o papel de controlar e submeter pessoas, abafando questionamentos e desconfortos; cumpre, inclusive, o papel ainda mais perverso de ocultar violências físicas e psicológicas, transformando essas pessoas em “portadores de distúrbios de comportamento e de aprendizagem”.
Enfim, a medicalização, com o discurso da cura e do cuidado, não passaria de um processo de envenenamento. No grego a palavra phármakon (donde farmácia) tem esses dois sentido: remédio e veneno. Talvez seja isso!

Alonso Bezerra de Carvalho é professor da Unesp. E-mail: alonsoprofessor@yahoo.com.br






terça-feira, 31 de julho de 2012

Conheça a verdade e ela te libertará, mas libertará do quê?



 Ao responder essa questão, sem floreio, a minha resposta é: nos libertará da ignorância, do medo e da dominação dos outros. É evidente que há outras razões a serem abordadas. No entanto, essas são as que considero nucleares quando o assunto trata da importância do conhecimento da verdade.
O que você lerá a seguir é a reflexão sobre cada um dos itens desta resposta. Sendo que o objetivo central deste escrito é facultar aos leitores do mesmo, as condições de possibilidades para termos uma vida sem tantas dores existenciais.

1.   Por que o conhecimento da verdade nos liberta da ignorância?

No artigo escrito por mim, cujo título é: “As razões que justificam ser a verdade um bem”, procurei detalhar a etimologia do conceito verdade. Por isso, farei um atalho e irei direto ao foco.
Gnose é uma palavra de origem latina. Traduz a ideia de conhecimento. Contudo, de modo geral é usada no sentido do conhecimento do Eu na relação com o Transcendente. A letra “I” no latim – semelhante ao que ocorre com a letra     “A” no grego clássico -, é utilizada em muitas palavras como prefixo de negação. Razão pela qual a palavra ignorância pode ser compreendida como o “não conhecimento”, ou seja, ignorante é aquele que não conhece.
Você concorda com a expressão: “todos nós somos ignorante em assuntos diferentes”? Lembro-me que li isso em 1987 e nunca mais deixei de pensar que isso é mesmo algo significativo. É por isso que termos a humildade perto de nós, faz toda a diferença em nosso dia-a-dia. O arrogante, por pensar que sabe tudo, não aceita o diferente. Pensa que ninguém pode lhe ensinar algo. Por ser assim, acaba sofrendo, entre outras coisas, com o isolamento social. Isso porque as pessoas, ao perceberem que suas ideias nunca são consideradas, acabam por se afastar dessa pessoa.
A filosofia é movimento. É a procura amorosa da verdade, nunca sua posse definitiva. Se estivermos abertos à possibilidade do novo, sofreremos menos.
No livro Convite à Filosofia da Marilena Chauí, de forma brilhante, ela responde à seguinte questão: por que o homem busca o conhecimento? Diz-nos que a principal razão de ser do conhecimento é o desejo humano de resolver seus problemas. Para ilustrar melhor essa questão lançarei mão de um recurso didático que gosto muito, que consiste em apresentar as ideias em forma de tópicos. São eles:
·       Karl Marx (1818-1883) teve cinco filhas e um filho. Quando seu guri tinha 14 anos foi acometido de forte infecção na garganta. Marx e seu grande amigo Engels estudaram mais do que os médicos da Inglaterra da época para encontrarem uma solução para o filho. Resultado: seu filho morreu. Isso lhe causou dores existenciais profundas. Claro que para sua esposa – Geni – também. Se fosse hoje, talvez, uma amoxilina poderia salvar seu filho. No século XIX não se conhecia esse remédio;
·       No campo da economia isso não é diferente. Aquele que conhece bem o funcionamento do mercado e atua com vendas, por exemplo, certamente sofrerá menos à medida que fará uma leitura melhor da conjuntura econômica, etc. Já escrevi em outro momento que eu e meus sócios, por não conhecermos muito do sistema tributário, acabamos pagando uma fortuna de impostos sem necessidade. Somente depois de fazermos um estudo exaustivo do Simples Nacional, percebemos que um bom planejamento tributário seria a solução para podermos continuar prestando um bom serviço à sociedade;
·       Outro exemplo que aconteceu recentemente comigo: hoje eu moro em Cascavel, no oeste do Estado. Estou me organizando para voltar a morar em Curitiba. Encontrei na internet o anúncio da venda de um terreno. Que nele a prefeitura autoriza construir prédios com até quatro pavimentos. O principal diferencial do anunciante foi destacar isso. Ao ligar para três amigos que moram em Curitiba, se valeria a pena investir nesse local para lá morar, um disse-me: “- Ivo, se você pretende fazer parceria com alguma construtora para depois do imóvel pronto você ficar com um apartamento é possível, mas eles só aceitam quando o terreno tem 17 metros de frente”. Ora, o imóvel anunciado só tem 10,4 metros. Portanto, graças a essa informação evitarei uma frustração amanhã. Uma simples demonstração do quanto o conhecimento da verdade é importante;
·       No que tange ao campo do direito isso fica ainda mais evidente. Quantos que sofrem por não conhecerem as leis que regulamentam a vida que o cerca? Se existe algo que me entristece nas relações humanas é quando alguém começa a me dizer: - “Isso você não pode fazer porque não é legal”! Quando você pergunta de que lei ela está falando, ela diz: “Eu não sei o número da lei, mas posso lhe garantir que não pode”! Barbaridade! Não aceite essa imposição. Estou agindo com tolerância zero em face disso. Chega de especulação!
Não aceite as coisas com base no ouvir dizer. Hoje, com o recurso dos portais de busca, basta você digitar a lei tal, que já aparece o número, de onde emanou, etc. Dessa forma, ao buscar as informações na fonte, nos livraremos dos atravessadores que, muitas vezes, aumentam o floreio para nos dominar. Convido-lhe a seguir essa leitura. Vou lhe apresentar meu entendimento acerca da questão do medo.

2.   Por que o conhecimento da verdade nos liberta do medo?

Se você já leu outros artigos meus, deve ter percebido que em quase todos eu cito Espinosa (1632-1677). No tocante a essa temática, não há como não cita-lo. Até porque pelo pouco que conheço da Filosofia, ele foi um dos filósofos que abordou essa questão do medo com muita propriedade. O que basicamente ele nos diz a esse respeito?
O homem teme a morte. Creio que você concorda com essa afirmação. Ninguém deseja conscientemente morrer. Nós nos esforçamos para prolongarmos nossa existência. Assim, vivemos uma dicotomia. Diante nós reinam duas forças: o medo e a esperança. Medo que algo possa vir a me acontecer e esperança de que tal mal não me aconteça.
      A título de exemplificação, vou citar algumas situações que vivemos hoje. Existem muitos consultores que primeiro vendem dificuldades para depois venderem facilidades. Eu mesmo conheço vários. Primeiro, começam fetichizando seus títulos acadêmicos. Depois, põem medo nas pessoas acerca de uma determinada situação. Por fim, dizem: - “eu tenho a chave de como resolver isso, só que meu preço é tanto”. Eu vivenciei uma situação análoga.
Por uma questão ética vou lhe contar o “milagre, mas não o santo”. Numa certa feita um ator social X dizia: - “olha isso, não dá para fazer, o MEC não deixa”! “A lei, X proíbe isso”. E assim por diante. Depois de colocar medo no seu superior que não conhecia as leis educacionais, ele começou barganhar um valor exorbitante para resolver tais problemas que ocorriam em sua instituição.
Devemos muito aos pensadores iluministas do século XVIII. O que se convencionou chamar de primavera árabe, nada mais é do que uma revolução francesa tardia. Os movimentos sociais no mundo árabe buscam entre outras coisas, libertarem-se do medo imposto pelos líderes políticos e religiosos ao longo de séculos. O desejo de liberdade, igualdade e fraternidade ecoam até hoje no coração de muitos seres humanos. Dos que não aceitam ser subjugados por aqueles que dizem ter o “sangue azul”.

3.   Por que a verdade nos liberta da dominação?

Em latim dominus significa senhor. Por isso, o conceito dominação pode ser compreendido como “ação do senhor”. Em outras palavras: aquele que exerce um poder sobre outrem. Daí que vem a palavra domingo, ou seja, dia do senhor.
Talvez você concorde comigo que é da condição humana a necessidade de termos líderes. E éincrível como isso é tão natural. Quem trabalha como educador ou educadora, pode comprovar o que escrevo. Basta às crianças irem crescendo que logo começam a se destacar alguns com espírito de liderança.
Ocorre que existem alguns líderes que desejam garantir privilégios a qualquer custo. Para tanto, criam uma ideologia. E o que isso significa? Constroem um corpo de ideias muito bem fundamentado, capaz de dar sustentação aos seus interesses. A partir disso começam a persuadir os outros através de uma comunicação perlocucionária, como bem nos mostra Habermas (1929...).
Recentemente eu ouvi um líder religioso falando pela TV. Para persuadir os outros dizia: - “isso está na Bíblia, portanto é legítimo que eu aja assim”! “Por que se pode usar o cartão de crédito em diversos locais e nós não podemos usar em nossa igreja”?, etc. Ao desconstruirmos o seu discurso poderemos chegar ao êidos do fenômeno, qual seja, de que sua verdadeira intenção é ver seu patrimônio aumentando, independentemente da situação em que os outros se encontram.
Portanto, o conhecimento da verdade é fundamental para todos aqueles que desejam construir uma vida pautada pela razão. Para aqueles que desejam ter uma espiritualidade desfetichizada, livre do medo e da imposição da pseudo verdade dos outros.
Se esta leitura contribuiu para o fortalecimento do seu conatus, meu objetivo foi alcançado. Sobre esse conceito em negrito, você encontrará mais informações no meu artigo “Como superar uma grande paixão”, disponível no meu blog: www.itecne.edu.br/ivo  Notoriamente, desejo que leia meus textos... rs!


[1]Ivo José Triches é escritor, palestrante, Diretor das Faculdades Itecne de Cascavel. Autor do blog www.itecne.edu.br/ivo  também é formado em Filosofia. Fez três Especializações e fez o Mestrado.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Como superar uma grande paixão!




Por Ivo José Triches[1]


Refletir sobre esse assunto é para mim um dos mais apaixonantes. Espero que ao terminar de lê-lo você possa dizer que valeu a pena ter parado suas atividades para dedicar-se a essa leitura.
Claramente há uma intencionalidade principal neste escrito. Qual? Contribuir para melhorar o endereço existencial daqueles que necessitam dessa reflexão. Será que conseguirei atingir tal intento?Veritas filia temporis (a verdade é filha do tempo). Boa leitura!
1.   A base teórica deste artigo
Só eu sei o quanto eu não sei, mas do pouco que aprendi até hoje, não conheci nada tão significativo quanto a teoria de Espinosa (1632-1677) quando o assunto é a questão das paixões.
Se você já leu outros artigos meus, deve ter percebido que Espinosa já foi citado várias vezes. Ocorre que de fato esse pensador passou a influenciar muito a minha forma de pensar desde o dia que comecei a aprender aspectos do seu pensamento. Estou lendo suas obras. Li vários comentadores, principalmente a Marilena Chauí e Cláudio Ulpiano.
Na graduação em Filosofia praticamente não me lembro de ter visto algo sobre ele. Contudo, quando fui professor da Rede Estadual de Educação do Paraná tive o privilégio de ter conhecido um professor que marcou a minha vida. Foram dois encontros apenas. Foi Cláudio Ulpiano (UFF). Já falecido justamente por uma paixão da tristeza que o acompanhou por muitos anos, qual seja, o cigarro.
Evidentemente que abordarei aqui a questão da paixão amorosa. Entretanto, antes de chegar a ela torna-se necessário lhe apresentar alguns conceitos que são fundamentais na teoria espinosiana para que você de fato entenda essa temática, bem como possam orientar suas ações, se assim lhe convier. São eles:
Conatus: força intrínseca a todos os seres que nos chamam para a vida. Em outras palavras: é a luta pela existência. Ninguém deseja conscientemente morrer. Por que nós somos mais assustados que os jacarés? Porque nossa visão é mais limitada. Temos o controle de no máximo 180º. Ao passo que o jacaré tem os olhos em cima da cabeça. Enxerga mais. Ele só reage se o seu conatus estiver ameaçado.
Outro exemplo: quando eu era pequeno, lembro-me que havia um homem muito mau lá na Linha Famoso, município de Descanso, Estado de Santa Catarina. Foi lá que passei os primeiros anos de minha infância, razão pela qual amo tanto o sítio.  Esse homem matava os outros com facilidade. Vivia envolvido em confusão. Quando ele ia à bodega tomar uma pinga, nunca ficava de costas para entrada do bar. Por quê? Porque tinha medo de ser ceifado. Ele matava o conatus dos outros e por isso temia que o seu fosse abatido.
Por isso que a expressão: “encostar a cabeça no travesseiro e dormir em paz” faz todo o sentido. Portanto, para Espinosa a regra é clara, ou seja, se nas minhas ações eu buscar fortalecer o meu conatus e também o conatus daqueles que me rodeiam, certamente minha capacidade de existir aumentará. No entanto a recíproca é verdadeira.
A partir desse pressuposto ele vai produzir o seu conceito de Ética que não é o foco aqui. Em outro momento escreverei sobre esse tema.
Hoje em dia fazemos o uso do conceito depressão com facilidade. Isso quando queremos nos referir a alguém que está triste, que não vê perspectiva em face do futuro, etc. Pois bem! Para Espinosa, essa pessoa está com o seu conatus enfraquecido. E por quê? Certamente porque está envolta em muitaspaixões da tristeza. As pessoas – não todas - com as quais ela convive, podem estar com muitas paixões da tristeza também. É possível que estejam puxando essa pessoa para baixo, com “cabos de aço”, como bem sinaliza Lúcio Packter sistematizador da Filosofia Clínica. Desse modo é necessário entendermos o que são paixões e como elas se classificam, segundo Espinosa.
O que são as paixões para Espinosa? São as vibrações, afecções que o nosso conatus sente. Elas são exteriores ao sujeito. A etimologia deste conceito é grega. Pathos = sofrer, deixar-se levar por... Daí deriva em nossa língua portuguesa a palavra patologia. De forma breve: a ciência que estuda as doenças. Associado a isso é relevante destacar que Platão considerava a paixão amorosa uma enfermidade do coração. Da mesma forma que nosso corpo sofre quando estamos com gripe, nosso coração padece quando estamos apaixonados. Uma visão negativa do conceito, evidentemente. Já para Espinosa esse conceito passa a ter uma conotação diferente.
Há sim uma ligação da etimologia dessa palavra com o significado atribuído por Espinosa, mas é apenas parcial. Isso porque para ele as paixões se classificam em dois grupos. As da tristeza e as da alegria.
O que são as paixões da Tristeza? São afecções, vibrações que o nosso conatus sente. Isso já foi dito acima você talvez esteja pensando. Uma vez existindo esse tipo de paixão em nós, nosso conatus ficará enfraquecido. Ele também definiu como paixões fracas. E por quê? Porque ao permitirmos que elas existam em nós, nossa capacidade de existir ficará diminuída.
Para mim isso está claro. Um ator social que se deixa levar pelas forças que vem de fora, que vive a partir das paixões da tristeza, vive menos até cronologicamente.
Como o texto ficaria excessivamente longo, não abordarei cada paixão como tenho o hábito de fazer em minhas aulas. Citarei apenas as principais. São exemplos de paixões da tristeza: o vício, a inveja, o ciúme, a mágoa, o ódio, etc.
Ao fazermos uma ligação com os seus três conceitos de conhecimento, poderemos afirmar, com segurança, que uma pessoa tomada por paixões da tristeza está apenas no primeiro. No nível da consciência (o segundo é o da razão e o terceiro o da ciência intuitiva). Ele compreende que sofre, mas escolhe não romper com essa lógica. Isso porque pensa no hedonismo que suas paixões lhe proporcionam. Não se dá conta que tem um caminho fácil no começo e espinhoso depois.
Para ilustrar isso vou exemplificar com a situação de muitos estudantes hoje. Há pessoas que fazem curso à distância do conhecimento. Preferem aqueles que são rápidos. Cujo diploma possa ser obtido sem grande esforço. Alguns desses cursos são ofertados na modalidade presencial, mas não há comprometimento por parte do estudante e, muitas vezes, das instituições também.
Assim o caminho que foi mais fácil no começo, tornar-se-á o mais difícil depois. Ele passou pelo curso, mas o curso não passou por ele. Não ocorreu a transcendência. Na hora que for chamado à responsabilidade terá grande dificuldade. Eu já presenciei isso com vários professores e professoras ao longo desses anos como Educador.
Isso implica em dizer que uma pessoa assim, deixa-se levar pelas forças que vem de fora. É um corpo marcado por outros corpos, como bem salientou Cláudio Ulpiano. Outro exemplo: o fiel que age conforme as orientações do seu líder religioso. Passemos agora a conhecer outra possibilidade de ser.
O que são as paixões da alegria? São as afecções ou vibrações que nosso conatus está afeto. Se em ti coabitarem mais paixões da alegria, você viverá mais até cronologicamente. Terá menos dores existenciais. Espinosa dizia que o homem forte é aquele que vive a partir das paixões da alegria. Seria o homem ético para ele. O homem da moral é aquele que vive a partir das paixões da tristeza.
Eu defino a felicidade como um estado de contentamento da alma. Ela é possível? Sim. No entanto dependerá das escolhas que fizermos. Não dá para desejar a felicidade permitindo que as paixões da tristeza tomem conta da minha existência. São exemplos de paixões da alegria: a virtude, a admiração, a amizade, a misericórdia, a bondade, o perdão, etc.
O que é a Liberdade para Espinosa? Consiste na capacidade que um ser tem de agir sem restrições. Partindo desse pressuposto podemos dizer que Deus é livre. E o homem? Pois então! Para ele o homem só consegue conquistar a sua liberdade se chegar ao terceiro conceito de conhecimento, qual seja, o da consciência intuitiva.
Liberdade e pensamento são dois conceitos importantíssimos na teoria espinosiana. O homem, por ser dotado de razão, é capaz de chegar ao conhecimento das coisas. A partir daí, se assim desejar, poderá ser o fundamento do seu próprio fundamento moral. Poderá inventar-se. Ele tem seu poder ampliado, e começa mudar o que vem de fora. Sendo, portanto, portador de liberdade.
A partir dos conceitos apresentados acima, chegamos, finalmente, próximo da compreensão de como poderemos superar uma grande paixão. Vamos adiante?

2.  A superação de uma grande paixão segundo Espinosa

De pronto enfatizo que eu também partilho dessa resposta apresentada por ele. Por isso no título não destaquei Espinosa.
Na sua obra chamada ÉTICA, mais precisamente na Quarta Parte na VII proposição ele afirma: “Uma paixão não pode ser reprimida nem suprimida senão por outra paixão contrária e mais forte do que a paixão a suprimir”.
Ao partir dessa afirmação vou – de forma breve – lhe apresentar como  as paixões amorosas eram vistas no séc. XVII. Na verdade, até hoje o sexo é visto, por muitos, como coisa suja, causa dos nossos pecados, etc.
Na época de Espinosa isso não era diferente. Quando alguém sofria os efeitos da paixão deveria sufoca-lá através da ascese, ou seja, do exercicio espiritual. Ao se autoflagelar[2], tomar banho frio, não tocar no corpo, acreditava-se que o homem chegaria mais próximo de Deus. O discurso era (e é, para muitos): o “importante é salvar a minha alma”. Para isso o corpo necessita padecer. Uma visão maniqueísta que Espinosa refuta com veemência. Ele nos diz que o fato de existir em mim o desejo por alguém, isso não se constitui em um mal nem em um bem. Dependerá de como eu agirei em face dessa paixão.
Se uma paixão ao realizar-se aumentar em mim a capacidade de existir isso se constituirá em um bem. Porém, se os resultados decorrentes da busca pela realização da referida paixão enfraquecerem o meu conatus, evidentemente, que a mesma será um mal. Nas palavras de Espinosa: “Uma paixão, na medida em que se refere à alma, é uma ideia pela qual a alma afirma uma força de existir de seu corpo, maior ou menor que antes. Portanto, quando a alma é dominada por alguma paixão, o corpo, ao mesmo tempo, é afetado por uma afecção que cresce, ou aumenta, ou diminui a sua potência de agir. Demais essa afecção do corpo recebe de sua causa a força de preservar no seu ser; ela não pode, pois, ser reprimida, nem suprimida, senão por uma causa corporal que afete o corpo contrariamente a ela, mais forte, e então, a alma será afetada pela ideia de uma paixão mais forte e contrária à primeira, isto é, a alma experimentará uma paixão mais forte, e contrária à primeira, que excluirá ou suprimirá a existência da primeira, e por isso, uma paixão não pode ser suprimida nem reprimida, a não ser que o seja por uma paixão contrária e mais forte”.  Ele escreve isso ainda dentro da proposição VII.
Imaginemos agora que uma pessoa se apaixone perdidamente por outra, mas não há a mínima possibilidade que tal paixão seja correspondida. Há basicamente duas possibilidades:
A primeira é que ela fique sofrendo e insistindo na tentativa de obter êxito. Se ela não conseguir tal intento as dores existenciais serão enormes. Ela sofrerá e fará o outro sofrer à medida que ficará perturbando a alma dessa pessoa. Isso poderá lhe causar danos irreparáveis tanto a ela que está afeta a essa paixão e depois nos outros envolvidos no processo;
A segunda possibilidade é que ela decida deixar que a pessoa amada siga seu caminho. Ao fazer isso, poderá canalizar todas as suas forças em outra atividade que seja socialmente aceita. A partir disso lentamente o tempo se encarregará de apagar as dores da paixão não correspondida. Ela perceberá que sua potência de agir será aumentada. Seu conatus voltará a estar fortalecido e novos dias virão.
Creio que tenha sido dessa afirmação acima de Espinosa que Freud construiu o seu conceito de sublimação. A Marilena Chauí afirmou no livro Espinosa, uma Filosofia da Liberdade que Marx e Freud produziram parte de suas ideias à luz do pensamento de Espinosa.
3.  Considerações finais
O lado bom de conhecermos a temática das paixões sob a perspectiva espinosiana é que as mesmas são tratadas sem o aspecto moralizante da grande maioria das religiões. Ao tentarmos compreender esse fenômeno sob o olhar circunscrito à razão, ficamos livres da culpa e da especulação que tanto mal fazem à alma humana.
Partilho daqueles que veem em Espinosa um pensador “embriagado de Deus”. Se partirmos do pressuposto de que Deus é vida e de que as paixões da alegria apresentadas por Espinosa são fontes da nossa longevidade, podemos inferir que há uma aproximação entre o que ele escreveu e o verdadeiro espírito de Jesus Cristo. Afinal uma das partes mais lindas do evangelho é a afirmação: “Eu vim para que todos tenham vida...”.
Evidentemente que conseguirmos substituir o vício pela virtude; a inveja pela admiração; o ciúme pela bondade e ou tolerância; a mágoa pelo perdão; a arrogância pela humildade, não é uma tarefa tão simples.
Contudo isso é possível. No último parágrafo de sua obra ÉTICA, Espinosa faz uma analogia com a joia. Diz-nos que da mesma forma que não é tão simples encontrarmos uma joia, mas ao encontra-lá não desejamos perdê-la, também não é fácil conseguirmos substituir as paixões da tristeza pelas da alegria. Entretanto à medida que conseguimos tal feito, não desejamos que esse novo momento acabe, porque o bem que elas nos proporcionam é incomensurável.
Espero que esse escrito tenha contribuído com sua formação e que suas escolhas sejam sempre as melhores.


[1]Ivo José Triches é escritor, palestrante e Diretor das Faculdades Itecne de Cascavel. Autor do blogwww.itecne.edu.br/ivo  também é formado em Filosofia. Fez três Especializações e fez o Mestrado.
[2] Sugiro que assista ao filme O Nome da Rosa. É um retrato da Baixa Idade Média e que perdura até nossos dias. No movimento Opus Dei e em muitas congregações religiosas, isso é uma realidade até hoje.  Ainda: para os carismáticos na Igreja católica e para muitas religiões evangélicas, o sexo é visto até hoje como algo negativo, pecaminoso, etc.